O fracasso desse encontro em Caracas já estava selado desde o encontro anterior, ocorrido em Havana, Cuba, pois a sugestão da capital venezuelana como sede do próximo ficou apenas como “sugestão”, ao menos desde o início desse ano e a cereja do bolo veio com o “informe Bachelet”, Alta Comissionada para os Direitos Humanos da ONU, que fez uma radiografia cruenta e realista das atrocidades que vinham ocorrendo sob a ditadura de Nicolás Maduro e que culminou com o assassinato brutal do Capitão-de-Corveta Rafael Acosta Arévalo, ainda quando Michele Bachelet estava no país fazendo seu levantamento, perpetrado pelos carrascos da DGCIM (a inteligência militar).

Uma semana antes de ocorrer o XXV Encontro, o país se viu outra vez envolto em um mega apagão que deixou sem energia, água e serviços de internet e telefonia por mais de 9 horas seguidas, 23 dos 24 estados venezuelanos, inclusive a capital Caracas. Mas o chavismo não perdeu a pose. Diosdado Cabello, o número dois do regime e atual presidente da ilegal e inconstitucional Assembléia Nacional Constituinte, divulgou aos quatro ventos que viriam 800 delegados e convidados internacionais para participar do Encontro mas estes não passaram de 150.

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Convocaram uma marcha para dar as boas-vindas aos convidados que foi outro evento bizarro, pois das quase três quadras ocupadas pela militância, aos menos duas eram ocupadas por mulheres e homens velhos, desdentados e famintos, e membros da Milícia Bolivariana que é composta por pessoas em iguais condições mas muito violentas.

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann não foi. Do Brasil apenas Mônica Valente, Secretária de Relações Internacionais, do PT e do FSP, e a representante das mulheres Anne Caroline compareceram. O PCdoB mandou apenas membros do Comitê Central, pois a presidente do partido, Luciana Santos, também desistiu. O PSOL não é membro efetivo do Foro mas dessa vez sequer foi convidado.

Do Chile, a principal ausência foi do Partido Socialista, do qual a ex-presidente e atual Alta Comissionada para os Direitos Humanos da ONU Michele Bachelet é membro. Também não compareceram o PPD do ex-presidente Ricardo Lagos e a deputada Camila Vallejo, ex-líder estudantil e filiada desde o berço ao Partido Comunista do Chile, que fizeram duras críticas a Maduro após conhecer o Informe Bachelet.

Do México também recusaram o convite o histórico PRD e o MORENA, do mandatário Manuel López Obrador, eterno candidato do FSP que finalmente chegou ao poder. Tampouco do Equador compareceram partidos de presença permanente no Foro: o Projeto País do presidente Lenin Moreno, o Movimento Pachakutik de origem marxista e que representa os povos indígenas e o Esquerda Democrática. Outra ausência que chamou a atenção foi a do índio cocalero Evo Morales, embora ele tenha dito que continuaria apoiando o regime de Maduro.

O mais espetacular, no entanto, foi a presença de líderes das FARC, agora como partido legalizado graças ao espúrio e criminoso “acordo de paz” de Santos, onde um dos membros do Secretariado, Rodrigo Granda, confirmou em entrevista recente o que sempre afirmamos: que as FARC são membros fundadores do Foro de São Paulo e que por questões de “segurança”, ficaram algum tempo mantendo um baixo perfil mas participando dos Encontros através de documentos enviados e lidos durante os eventos.

O Encontro foi realizado no luxuoso Hotel Venetur Alba Caracas, de 5 estrelas, tudo pago pelo ditador de Miraflores que gastou 200 MIL DÓLARES para oferecer luxo e conforto a terroristas, narco-traficantes, ditadores e criminosos comunistas de todos os continentes, com dinheiro de um povo que morre a míngua de fome, de miséria, de falta de medicamentos. Nesse hotel não faltou energia, tampouco comida e bebida de primeira qualidade, enquanto se urdia planos de massacrar ainda mais gente inocente.

Da Declaração Final, um documento longo, enfadonho e repetitivo, os pontos mais importantes são: defender a CELAC “como o maior acontecimento unitário dos últimos 200 anos”, que eu aponto no meu livro como o substituto do Foro de São Paulo caso este venha a sucumbir; “enfrentar de forma enérgica o avanço da direita sobre os nossos povos”, notadamente os governos do Brasil, Colômbia, Paraguai, Argentina e Equador que, segundo esses delirantes delinqüentes, “destroem a democracia e os direitos sociais conquistados”. Condenar o “genocídio dos líderes sociais e ex-integrantes das FARC”, assim como “exigir” a liberdade de Simón Trinidad das FARC; “exigir a liberdade imediata de Lula, vítima de um abusivo, ilegal e indignante exercício do poder judiciário contra ele” e finalmente, a mais cínica e hipócrita de todas as condenações: “condenar o narco-tráfico, o tráfico de pessoas e o terrorismo em todas as suas formas”. E o que fazem até hoje, mesmo depois de assinado o malfadado “acordo” senão isso? O que pratica o ELN, que eles apóiam uma negociação criminosa igual ao das FARC? O que fazem as ditaduras de Cuba e Venezuela senão isso a vida toda?

Há muito mais “exigências” mas o espaço destinado a esse artigo não me permite. Entretanto, ficou claro que esta gente sabe que já está na lona, que o regime de Maduro agoniza a olhos vistos mas eles não vão desistir e vão usar de toda a violência e mentiras para manter essa ditadura sanguinária no poder a qualquer custo.

Quanto à organização Foro de São Paulo, continuo repetindo que, mesmo enfraquecida e desprestigiada, ainda tem fôlego para atormentar os países livres e as verdadeiras democracias por muito tempo, pois eles desconhecem o que seja honestidade, respeito, liberdade, democracia, leis e sobretudo direitos humanos desde os mais básicos e elementares. Para os comunistas de todos os cantos do mundo, em todos os tempos, a única coisa que vale é o poder, desde que esteja sob o controle deles.