I can tell there’s going to be a feast

Satan comes as a man of peace.

Bob Dylan – NOTA: as organizações já citadas em artigos anteriores desta série não serão mencionadas aqui a não ser Woodrow for Scholars

O Centro Woodrow Wilson foi criado em 1968 pelo Congresso dos EUA, como Citibank, Max Kampelman, presidente honorário da Archer Daniels Midland. Condoleezza Rice, atual Secretária de Estado, é Membro do It will be our wish and purpose that the processes of peace, when they are begun, shall be absolutely open and that they shall involve and permit henceforth No conclusion of Peace shall be held to be valid as such, Deverão ser estabelecidas garantias adequadas de que Exércitos permanentes deverão ser completamente abolidos no futuro). Vemos aqui o germe de decisões atualíssimas que estudaremos adiante.

XIV. COUNCIL ON FOREIGN RELATIONS

Já esta organização, veladamente admite que a paz mundial só poderá ser estabelecida através de um único governo Mundial, embora a descrição de sua “missão” seja insossa e um primor de inocuidade [4]: Freedom from War: The United States Program for General and Complete Disarmament in a Peaceful World (Livre da Guerra: Proposta dos Estados Unidos para Desarmamento Geral e Completo num Mundo de Paz), que se tornou conhecida como Peace Force) permanente com poder de coerção, estabelecendo regras para todos os países do mundo. No segundo previa o aprofundamento destas medidas e o fim da produção de armas químicas, bacteriológicas e radiológicas. No terceiro, várias medidas são sugeridas. Para o que interessa aqui: redução de todas as tropas e armamentos convencionais ao nível de com exceção da produção destinada à Força de Paz da ONU, sendo que propunha a castração da capacidade de defesa e ataque de todos os Países do mundo. Este item deixa em aberto até mesmo as Chairman do Luiz Felipe Lampreia que foi Ministro das Relações Exteriores do Brasil Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) [7]. O CEBRI possui Forças-Tarefa sobre a ALCA e os EUA. Da primeira fazia parte Marco Aurélio Garcia (quando era Secretário de Cultura de São Paulo), o então Senador Roberto Requião e Clovis Brigagão (Universidade Cândido Mendes) [8]. Coincidentemente, mantém estreita ligação com o Center on International Cooperation, seminários sobre TRILATERAL COMMISSION

A Comissão Trilateral [10] idealizada por Zbigniew Brzezinski, Assessor de Segurança Nacional da Administração Carter, foi criada em 1973 por David Rockefeller, Presidente do Chase-Manhattan Bank, com a função de coordenar industrial, econômica e politicamente as atividades dos vários governos da América do Norte, Ásia e Europa desenvolvendo o conceito de “interdependência crescente” para intensificar a liderança mundial das nações industrializadas do Hemisfério Norte. Constitui uma evolução natural das organizações internacionais de elite do tipo do já descrito CFR, baseado nos EUA, e do Bilderberg Group, baseado na Europa. (Omiti o estudo deste importantíssimo grupo para não alongar demais o artigo). No entanto a CT difere significativamente destas organizações por ter substituído o Atlanticismo pelo Trilateralismo, com a inclusão do Japão.

A CT pode ser definida como o comitê executivo de assessoria ao capital financeiro internacional. Segundo Richard Falk, sua perspectiva ideológica representa a visão de mundo transnacional das corporações multinacionais que pretendem “globalização”. Sua perspectiva vem mudando paulatinamente, levando em consideração as dramáticas mudanças do sistema internacional. Segundo o Professor de Economia da Universidade Estadual da Califórnia-Los Angeles e Pesquisador Senior da Universidade de Stanford, Dr. Sutton, que rastreou o desenvolvimento da CT desde seus primeiros passos, ela vem se encaminhando no sentido de uma ameaça mortal à Soberania Nacional dos EUA bem como do bem-estar econômico de seu povo. Imagine-se o que não dizer dos Países, como o Brasil, que nem incluídos estão em suas discussões!

Bom, não é bem assim: o Brasil não, mas alguns de seus políticos sim. enfant gâté da Comissão Trilateral, onde tem apresentado vários trabalhos e é incensado por seus membros como a grande esperança de transformação na América Latina, restaurador da governabilidade democrática e das políticas dos direitos humanos na região [11]. internacionalização da economia nacional para os grandes cartéis transnacionais. Por esta razão, a criação simultânea das famigeradas “agências reguladoras” através das quais mantém-se o controle estatal. Explica, também, a política externa anti-americana e de apoio total à ONU, continuada pelo PT.

* * *

Impõe-se uma advertência antes de prosseguir. As investigações acima sugerem que todos estes movimentos anti-nacionais são baseados nos EUA, o que daria razão às interpretações delirantes dos ultranacionalistas e das esquerdas – que não deliram, sabem muito bem da verdade mas não lhes convém difundir – de que os EUA estão preparados para invadir o Brasil, principalmente a Amazônia. Ora, isto é baseado numa interpretação simplista e mesmo simplória que vê os EUA como um todo homogêneo, quando na realidade estão divididos a ponto de que em alguns momentos quase chegam à ruptura, como abordei nos meus artigos sobre a América dividida. Uma das expressões mais bobas é a criada pelas esquerdas e adotada alegremente pela ultradireita, a da existência de um “consenso de Washington”. É impossível haver consenso de Washington se não existe consenso em Washington. Leitura recomendável é O DIÁLOGO INTERAMERICANO [13]

Em 1982 duas ocorrências levaram pânico aos países ricos: a Guerra das Malvinas e a crise da dívida externa que apresentava sérios riscos de Centro Woodrow Wilson.

No primeiro dos três seminários realizados após o término da guerra das Malvinas, Heraldo Muñoz, então professor da Universidade do Chile, argumentou que o só foi possível porque não havia um governo democrático na Argentina”. Muñoz, posteriormente, foi nomeado embaixador do Chile perante a OEA (Organização dos Estados Americanos).

O Diálogo Interamericano propunha estabelecer estruturas supranacionais para atuar no continente, vigiando as atividades militares e promovendo ações intervencionistas “sempre que necessário”. Dez anos depois – governo Clinton, um membro ativo dos mais importantes do CFR – o Diálogo Interamericano anunciou um plano “a soberania dos estados nacionais não poderia constituir-se num escudo atrás do qual governos ou grupos armados poderiam se esconder”, numa clara menção à ideologia wilsoniana – e kantiana. Não por coincidência, movimentos de guerrilhas no México, Colômbia, Peru e Guatemala passaram para a primeira página dos jornais, servindo para estimular as diretrizes do Diálogo Interamericano, forma de intimidação e erosão dos Estados Nacionais. Também foram incrementadas campanhas para a formação de nações indígenas independentes, como no caso dos Ianomami.

Outras ameaças aos Estados Nacionais foram feitas por parte do Diálogo Interamericano: suspensão da assistência econômica bilateral, estimulando a criação de instituições supranacionais e sujeitando a elas a ajuda, embargo de exportações e importações vitais, suspensão de ajudas militares, de fornecimento de equipamentos e, finalmente, a possibilidade de intervenções militares. O modelo também previa a internacionalização das economias nacionais via privatizações fajutas – como a do discípulo FHC – possibilidade total de especulação financeira e até recomendação de que suspensos os direitos sociais de algumas constituições de países da América Latina, como forma de “incrementar investimentos”.

que se construísse uma “aos comunistas e aos militares”, colocados, assim, as ações dos militares do continente em defesa das respectivas soberanias nacionais.

Para lograr este último objetivo, o documento do Diálogo considerou ser urgente reduzir a participação militar em ““Manual Bush”, uma obra anti-militar editada em espanhol com o título “o nível de recursos a ser destinado aos militares” deveria ser questionado e mudado, como uma das formas mais efetivas de “A Comissão Trilateral [14], como vimos acima, defende a substituição das Forças Armadas dos países subdesenvolvidos, notadamente da América Latina, por Força Interamericana de Defesa.

Um outro fator de risco é o considerado como excessivo crescimento populacional nos países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos, pois forças regionais de defesa, foi assinalado que a Guerra Fria acabara e que não havia mais riscos de comunismo na América Latina. Sobre a eliminação das Forças Armadas nacionais, a conclusão da Trilateral é a de que em muitos países da América Latina elas tendem a ““Nova Ordem Mundial”: cortes orçamentários, redução de efetivos, abandono da missão histórica de defender o Estado Nacional, participação em forças multinacionais, etc. “profunda crise de identidade entre os militares no continente”, assegurou que “a geração mais jovem está imbuída do ponto de vista da sociedade civil (..) Ao ir-se ajustando as novas democracias ao neoliberalismo, os militares tendem a uma visão retrospectiva de buscar o nacionalismo e de regressar à política antiga. Porém, isso mudará, pois “Movimento pelos Direitos Indígenas”, grupos que operam em quase todos os países do continente. Onde não há indígenas nativos, missionários e antropólogos estrangeiros os constituem ou reconstituem. Esse movimento é financiado, dirigido e promovido desde o exterior como uma força dirigida explicitamente contra o Estado Nacional. Observe-se que em fevereiro de 1993, o Diálogo Interamericano constituiu um grupo de trabalho encarregado de “estimular o debate entre os povos do hemisfério sobre a relação entre os governos e os povos indígenas”, e se propôs emitir aos governos da região “recomendações programáticas práticas” sobre a matéria. FHC, membro nato do Diálogo, tinha sido até então o Presidente latino-americano que mais dilapidou o Poder Nacional em favor da Nova Ordem a quem, na realidade, serve e presta contas. Só Lula o supera e veremos no próximo artigo porquê.

Notas:

Leia também A colheita I – O Eixo do Mal Latino-Americano

A seguir: O PACTO ESTRATÉGICO ENTRE O FORO DE SÃO PAULO E O DIÁLOGO INTERAMERICANO

[1] Perpetual Peace. A Philosophical Essay. 1795. In: Kant’s Principles of Politics, including his essay on Perpetual Peace. A Contribution to Political Science, trans. W. Hastie (Edinburgh: Clark, 1891). Pode ser encontrado on-line em:

http://oll.libertyfund.org/Texts/Kant0142/PrinciplesOfPolitics/HTMLs/0056_Pt05_Peace.html

[2] cf. John Lewis Gaddis, We Now Know: Rethinking Cold War History, Oxford Univ Press, 1997. Para os famosos 14 pontos de Wilson ver

http://www.historicaldocuments.com/WoodrowWilsons14Points.htm

[3] http://www.historicaldocuments.com/WoodrowWilsons14Points.htm

[4] http://www.cfr.org/about/cfr_mission.html

[5] cf. http://infoshare1.princeton.edu/libraries/firestone/rbsc/finding_aids/cfr/index.html, também em http://www.cfr.org/about/history/cfr_archives.htmln

[6] http://www.freedomdomain.com/freefromwar.htm

[7] http://www.cebri.org.br/01_principal.cfm

[8] http://www.cebri.org.br/01_principal.cfm

[9] http://www.vivario.org.br/publique/media/emailsparticipantes.pdf e

http://www.vivario.org.br/publique/media/Lista_Participantes_27fev04.pdf

[10] http://www.trilateral.org/about.htm e

http://www.freedomdomain.com/neworder/trilateral01.html

[11] http://www.trilateral.org/annmtgs/trialog/trlgtxts/t53/cav.htm e

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0011-52581998000100001

[12] http://www.lewrockwell.com/yates/yates14.html

[13] Esta seção está baseada nas investigações de Carlos Ilich Santos Azambuja nos seguintes sites:

www.iadialog.org/main.html,

http://www.trilateral.org/about.htm e http://www.armaria.com.br/chagas.htm.

No entanto, a literatura é abundante e não poderia ser tratada num único artigo. Também já foi parcialmente abordada nos meus artigos anteriores.

[14] http://www.trilateral.org/about.htm