“Nos livramos de pedra no sapato”, afirma presidente do Equador sobre Assange

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O presidente do Equador, Lenín Moreno, afirmou nesta quinta-feira que o país se livrou de uma “pedra no sapato” ao retirar o asilo concedido ao fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange, preso mais cedo no Reino Unido.

“Sua conduta foi desrespeitosa. Inclusive, companheiros, para que vocês saibam, esse senhor manchava com suas fezes as paredes da embaixada, a casa dos equatorianos, o território equatoriano em Londres”, denunciou Moreno ao falar do caso.

O presidente equatoriano defendeu a decisão tomada por ele e disse que o país atua sob os princípios das normas internacionais. Por esse motivo, Moreno afirmou ter decidido retirar o asilo diplomático concedido ao ativista australiano.

“A paciência do Equador tem limite. Tiramos o asilo desse malcriado e vantajosamente nos livramos de uma pedra no sapato”, desabafou Moreno ao falar sobre a situação de Assange.

“De agora em diante, teremos muito cuidado em conceder asilo. Só o daremos para gente que realmente valha a pena e não para um hacker miserável, cuja única intenção é desestabilizar governos”, continuou o presidente, que participava de um ato público em Latacunga.

Por sua vez, o ministro de Relações Exteriores do Equador, José Valencia, participou de uma audiência pública na Assembleia Nacional para explicar o caso e os motivos que levaram o governo a retirar o asilo de Assange, que pode também perder a cidadania equatoriana.

O chanceler afirmou que o fundador do WikiLeaks interferiu nos assuntos internos de outros países, apesar de o Equador ter insistido para que ele parasse de realizar essas atividades.

Além disso, Valencia citou o comportamento ruim de Assange e a falta de respeito com os funcionários da embaixada equatoriana em Londres, onde o australiano vivia desde 2012. As relações, segundo o chanceler, foram se desgastando ao longo desses sete anos.

Além disso, o ministro afirmou que não existia pedido para a extradição de Assange e avaliou que a Justiça do Reino Unido oferece garantias de que o ativista terá um julgamento justo.

Segundo o chanceler, o Equador gastou de junho de 2012 até setembro de 2018 mais de US$ 5,8 milhões em segurança na embaixada de Londres. Outros US$ 400 mil foram destinados a cobrir gastos médicos, com alimentação, lavagem de roupa e consultorias jurídicas.

“Cumprimos a nossa parte”, disse Valencia.

A polícia do Reino Unido prendeu Assange na manhã desta quinta-feira na embaixada do Equador, onde o ativista permaneceu exilado por temer ser extraditado para os Estados Unidos.

O governo americano quer a extradição de Assange para julgá-lo pela publicação de milhares de documentos secretos do país no WikiLeaks. No Reino Unido, o ativista pode passar 12 meses na prisão por violar as condições de sua liberdade condicional.