Guaidó diz que não descarta pedir intervenção militar estrangeira na Venezuela

Presidente interino da Venezuela afirma que a Constituição permite ao Legislativo solicitar esse tipo de ação

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O líder opositor venezuelano Juan Guaidó (C), junto ao chanceler colombiano, Carlos Holmes Trujillo, após seu desembarque em Bogotá, em 24 de fevereiro de 2019 - Presidencia de Colombia/AFP

O presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, disse que uma intervenção militar no país será considerada caso o ditador Nicolás Maduro não deixe o poder. No sábado, Guaidó disse:  “sugerir à comunidade internacional de maneira formal que devemos ter abertas todas as opções para conseguir a libertação desta pátria que luta e seguirá lutando”.

Em uma entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, por telefone neste domingo (24), Guaidó disse: “Eu quis dizer exatamente isso, que devemos considerar todas as opções”. “A Constituição venezuelana dá à Assembleia Nacional o direito de solicitar apoio desse tipo. Não é o que buscamos, mas é uma possibilidade que, responsavelmente, não podemos descartar dada a atitude das forças e interesses que sustentam a usurpação na Venezuela.”

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Ele está em Bogotá para participar, nesta segunda (25), da reunião do Grupo de Lima, Guaidó disse não temer como irá voltar à Venezuela. Pelo Brasil estará presente o vice-presidente Hamilton Mourão.

Guaidó explicou que entrou na Colômbia com ajuda de militares que apoiam sua causa e que o número deles vem crescendo, e que não teme como será o retorno. Voltou a elogiar os oficiais que aproveitaram a confusão do último sábado para desertar do Exército venezuelano. Cerca de 60 oficiais ficaram na Colômbia, e dois sargentos desertaram e pediram refúgio em Pacaraima (RR). “Eles fizeram a coisa certa e queria alentar que outros o seguissem. Me disseram que o fizeram por suas famílias e pelo país e terão anistia”. E acrescentou: “Tivemos uma oportunidade única de fazer entrar em nosso país alimentos e remédios de que nossa população tanto precisa, e isso foi impedido, houve feridos e mortos. É uma lástima desperdiçar a oportunidade. Mas é preciso seguir adiante.”

Questionado pela Folha sobre o papel do Brasil nas tentativas do sábado, Guaidó respondeu: “O governo do Brasil fez tudo o que pôde apoiando a entrada da ajuda humanitária, e o fez corretamente, sem ingressar no território da Venezuela. Estou muito agradecido”. “Além disso, o Brasil foi testemunha da repressão brutal que as forças que respondem a Maduro cometeu contra a população venezuelana da fronteira, especialmente contra a população indígena dos pemón”, disse. “Estes crimes que estão sendo cometidos pela ditadura são terríveis, não podem e não ficarão impunes.”