Com a crise, mesmo famílias com fogão em casa consomem menos gás, diz Sindigás

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Por Fernanda Nunes

Rio, 29/05/2019 – A alta do preço do botijão de gás e a crise econômica estão refletidos nas estatísticas do mercado de distribuição de GLP. Pela primeira vez em uma década a venda do botijão de 13 kg, comumente usado em residências, caiu em 2018 – passaram em 5,4 mil toneladas para 5,3 mil toneladas em um ano.

A interpretação do Sindigás, que representa as empresas distribuidoras, é que, além de consumir mais lenha, como demonstrou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), famílias que têm o fogão em casa também estão sendo mais eficientes e mudando os hábitos alimentares com o objetivo de economizar dinheiro.

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Segundo o presidente da entidade, Sérgio Bandeira de Mello, a lenha há anos mantém posição de destaque na matriz energética residencial brasileira e, por isso, não é capaz de explicar sozinha a mudança de rota do mercado de gás de cozinha. A visão do executivo é que, como também não houve queda da população, a única conclusão plausível é que houve uma mudança na maneira do brasileiro cozinhar.

O Balanço Energético Nacional de 2018, produzido pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao governo federal, demonstra que o consumo de lenha no Brasil já foi maior. Em 2010, respondia por 30% da matriz energética residencial enquanto, em 2017, último dado disponível, estava em 24,5%. Por isso, o Sindigás não dá tanto peso à lenha em sua análise dos efeitos da alta de preço do combustível e da crise econômica no cotidiano da população.

“A crise está se expandindo pelas classes sociais. Famílias de classe média que têm fogão em casa estão mudando os hábitos para economizar. Ou os equipamentos estão mais eficientes, ou estão utilizando o gás de forma mais parcimoniosa. Está ficando cada vez mais comum, por exemplo, os membros de uma mesma família optarem por fazer as refeições juntos, num mesmo horário, para assim cozinharem de uma única vez”, disse Mello.

As estatísticas do Sindigás demonstram que, em 2019, o mercado do GLP de 13 kg continua encolhendo. Os dados mais recentes, de março, são de queda de 3,15% na comparação com igual mês do ano passado. No acumulado do ano, a retração é de 1,69%.

Neste ano, um botijão de gás está custando, em média, o equivalente a 4,6% de um salário mínimo, segundo a entidade. O cenário só não é pior do que em 2018, quando a relação era de 4,8%. Nos anos de 2012 e 2013, nos melhores períodos da década para o consumidor, a proporção era de 4%.