Ativistas dinamarqueses enviam dinheiro a Santrich

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Nina Hagensen, porta-voz de um grupo que se deu o nome angelical de “Comitê dinamarquês da esperança”, deu a cara para essa operação de transferência de dinheiro para as FARC. Transformadas aparentemente em partido legal, porém com “dissidências” que assassinam na Colômbia e Equador, elas continuam traficando quantidades industriais de cocaína para os Estados Unidos e Europa. A DEA e a Promotoria da Colômbia acabam de destapar esse jogo. Depois de prometer à Colômbia que não continuariam no narco-tráfico por haver assinado o “acordo de paz”, as FARC ficaram de novo nuas: não renunciaram a essa atividade suja e um de seus chefes, o histriônico Santrich, foi detido em 9 de abril passado em Bogotá e está às vésperas de ir extraditado para os Estados Unidos onde o espera um cárcere e um juiz que reprova sua participação em uma operação de tráfico de alucinógenos que lhe ia deixar 15 milhões de dólares. Entre os detidos com Santrich figura um tal Marlon Marín, sobrinho de outro chefe central das FARC, “Iván Márquez”, que optou por fugir de Bogotá e regressar à clandestinidade. Essas capturas realizadas pela Promotoria mostram que as FARC não mudaram e que seus vínculos com a máfia mexicana continuam estáveis.

A essa gente Nina Hagensen quer dar oito mil euros (22 milhões de pesos), sob a forma de um “prêmio” a Santrich que, segundo ela, teria “se comprometido com a paz”. Ela não admite que quem atacou o “processo de paz” foi Santrich e seus comparsas. Ela repete o refrão fariano: Santrich é “inocente” e as acusações da DEA são “difusas”. Diz que essa captura é “um sintoma” de que o governo americano e a direita da Colômbia “tentaram torpedear” o acordo de paz.

Que senhora arrogante! Ela não viu o processo. Entretanto, atreve-se a questionar o que disse, e as provas muito concretas que o Promotor Geral da Colômbia apresentou.

A Dinamarca é um país protestante de cinco milhões de habitantes. Dizem que é o mais feliz do mundo embora haja, como em todos os lugares, desigualdades sociais. A senhora Hegensen acredita que conhece a Colômbia por ter vivido lá um ano e meio “na época de Uribe”, segundo precisou a jornalistas da FM. Fala em castelhano e diz estar em Copenhague. Admite que conhece o caso de Tania “a holandesa das FARC”, mas o caso dela é diferente: que trabalha na Colômbia desde há uma década como “observadora de paz”. Porém, cala acerca do que é seu grupo e como reuniu oito mil euros para Santrich. Sublinha que “para chegar a uma paz verdadeira há que ceder e reconhecer os atores do conflito”, e que o importante é “a implementação dos acordos”.

Na realidade, a ativista dinamarquesa não conhece a Colômbia. Em seu diálogo com a FM disse que Santrich não foi condenado. Falso. Ele tem três ordens de captura, suspensas durante o “processo de paz”. Disse que ele havia sido “eleito” para entrar na Câmara de Representantes por parte das FARC, o que é inexato. Ela, sobretudo, resumiu sua visão da Colômbia: um país onde reina a “perseguição social” e onde se pode “perder a vida por exercer direitos como o voto, a palavra e a luta social”. A Colômbia é, pois, para ela, o que dizem as FARC: uma ditadura fascista com uma “desigualdade social muito grande”.
Com muita dignidade, os jornalistas evocaram ao final as vítimas do Clube El Nogal e os outros milhares de mortos, seqüestrados e mutilados deixados pela narco-guerrilha. Lhe perguntaram se ela não lhes pedirá perdão por dar esse prêmio a um verdugo e não a uma vítima. Sem deixar de falar de seu “amor” pelas vítimas, a dinamarquesa mostrou-se insensível e respondeu com frases farianas: que deve-se “entregar um Estado de Direito com justiça social” às vítimas, e que o central é a “reconciliação entre os atores do conflito” e a “implementação do acordo”. A linguagem de Nina Hagensen é inquietante. Que diabos é esse comitê? Um grupo humanitário? Um núcleo de iluminados?

Essa entrega do dinheiro às FARC é problemática. Tal ato poderia atrair sobre eles a atenção dos serviços anti-terroristas europeus. Nestes dois últimos dias, cerca de 500 experts e 80 ministros de 72 países se reuniram em Paris para dar passos concretos contra o financiamento do terrorismo. A conferência “No money for terror” concluiu com um discurso do presidente Emmanuel Macron.

Na véspera, François Molins, o procurador de Paris, revelou que os serviços de inteligência descobriram uma rede internacional que financia o terrorismo islâmico. Descreveu algumas das astúcias que essas redes utilizam para financiar operações: doações de e à associações humanitárias, doações diretas a arrecadadores, cartões pré-pagos, uso de plataformas digitais para enviar dinheiro e até moedas virtuais. François Molins explicou que o micro-financiamento é uma forma particularmente daninha, pois as agências que observam as transições financeiras não lhe prestavam a devida atenção. Tratarão de corrigir esse erro, pois por esses circuitos fluem milhões de dólares. Também assinalou que a vigilância exercida deu resultados: conseguiram identificar 416 doadores na França e 320 arrecadadores na Turquia e no Líbano, e identificaram jihadistas que estavam na Síria e no Iraque e cujo paradeiro era desconhecido.

Nesses mesmos dias, caiu na Espanha um carregamento de 9 toneladas de cocaína originária da Colômbia. Os serviços anti-droga da Espanha e Europa provavelmente procurarão a pessoa que montou esse enrome embarque ilegal. Nesse contexto, enviar dinheiro a Santrich é um ato de provocação contra a DEA e a Promotoria da Colômbia, ou é uma torpeza produzida pela ingenuidade de ativistas desinformados e intoxicados pela propaganda. Quisera crer que Nina Hegensen está no segundo grupo e que terá a capacidade para retirar esse “prêmio” antes que a justiça colombiana e a dos Estados Unidos confundam definitivamente seu destinatário, o turvo Seuxis Paucias Hernández Solarte, vulgo Santrich.Tradução: Graça Salgueiro