Publicado originalmente em 16 de novembro de 2005 

O que dizer do PFL e outros partidos que se dizem oposicionistas e ficam discutindo chequinhos carregados por secretárias e dólares em cueca e sequer tentam apurar o que é o Foro de São Paulo? Será que só querem mesmo aquilo que o povo suspeita seja seu único interesse: gritar com o único fito de “se arranjar”, de mamar mais ainda no dinheiro suado dos brasileiros?

Lançamento

Ao invés de confiar apenas em táticas fracassadas de guerrilha e terrorismo, as forças castristas passaram a promover a eleição democrática de um radical que não tem ligações oficiais com o movimento comunista e que tudo fará para esconder ou modificar seu radicalismo nos estágios finais do processo eleitoral.

CONSTANTINE MENGES

Ao usar a expressão “eixo do mal”, o Profº Menges certamente usava as mesmas palavras com que o Presidente George W. Bush havia se referido aos países que abrigavam terroristas – Iraque, Irã e Coréia do Norte, no discurso State of the Union de 20 de janeiro do mesmo ano. Porém, a primeira vez que um Presidente dos EUA havia feito referência a algo do mesmo teor foi em 9 de março de 1983, num discurso do Presidente Ronald Reagan na National Association of Evangelicals. Falando da corrida armamentista com a URSS disse Reagan: quando Bush usou em 2002 também enfrentou esta mesma oposição tendo Warren Christopher, um dos idealizadores do Diálogo Interamericano, dito que esta frase “era o sonho de todo escritor de discursos mas o pesadelo de qualquer político” [3].Para o ataque a Menges no Brasil foram escalados alguns jornalistas da esquerda como Márcio Moreira Alves que no Globo, onde a acusação foi feita – acusando o golpe sofrido.

É hora dos anti-comunistas perderem os escrúpulos de usar a palavra certa – A EXISTÊNCIA DO FORO

Por isso, meus companheiros, minhas companheiras, saio daqui para Brasília com a consciência tranqüila de que esse filho nosso, de 15 anos de idade, chamado Foro de São Paulo, já adquiriu maturidade, já se transformou num adulto sábio.

PRESIDENTE LULA DA SILVA

(Discurso de comemoração dos 15 anos do Foro, julho de 2005) [4]

Depois de, juntamente com todos os petistas e aliados, negar peremptoriamente a existência do Foro de São Paulo e de ter inclusive proibido autoritariamente Bóris Casoy de mencioná-lo ainda como candidato, Lula com seu canhestro linguajar abre o jogo. Possivelmente porque a criança já cresceu, é um adulto e ninguém mais ousará pôr em cheque suas determinações. Com as raízes fincadas – abordadas na série anterior – e a árvore bem crescida, é hora colher os frutos já maduros.

Sabe também o Presidente que neste País não existe oposição mas um grupo de poltrões que esganiçam suas arengas como velhotas de aldeia, mas nada fazem! Entende-se que o PSDB, que de oposição não tem nada, pelo contrário é interessado direto, nada diga. Mas o que dizer do PFL e outros que se dizem oposicionistas e ficam discutindo chequinhos carregados por secretárias e dólares em cueca e sequer tentam apurar o que é o Foro? Se alegarem que não sabem é porque são mentirosos, burros ou só querem mesmo aquilo que o povo suspeita seja seu único interesse: gritar com o único fito de “se arranjar”, de mamar mais ainda no dinheiro suado dos brasileiros. Mas nem tomarem conhecimento dos discursos do próprio Presidente da República? São políticos ou idiotas. Imagine-se o que dirá um parlamentar europeu ou americano ao saber que seus colegas (sic) brasileiros não tomam conhecimento do que diz o Primeiro Mandatário?! Os discursos de Bush, Blair, Chirac, etc., mesmo em quermesses ou festinhas de criança, são dissecados. Ainda mais quando o discurso é feito numa organização internacional como o Foro!

Pois se interessassem saberiam o que Lula falou sobre a verdadeira finalidade do Foro: “Foi assim que nós pudemos atuar junto a outros países com os nossos companheiros do movimento social, dos partidos daqueles países, do movimento sindical, sempre utilizando a relação construída no Foro de São Paulo para que pudéssemos conversar sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência política”.

Os leitores que não tiverem suas mentes burrificadas pela doutrinação gramscista, poderão entender melhor as recentes denúncias da revista Veja, que põe a nu o interesse do Foro na eleição “do companheiro Lula” e na sua manutenção no poder, se tiverem a paciência de ler as próximas páginas.

Granma, órgão oficial do Partido Comunista Cubano. Na edição internacional nada transpirou. Mais tarde, passou a ter algum tipo de noticiário restrito em poucos jornais de alguns países e, até numa revista, quase de circulação interna, chamada A FUNDAÇÃO

Le Monde que “as eleições democráticas são uma farsa, unicamente um passo para a tomada do poder de uma nação”. E estas palavras não são meramente teóricas. Exilado no Chile e participante ativo do MIR, Movimiento de Izquierda Revolucionaria, organização terrorista, foi o intermediário entre Allende e Fidel Castro no contrabando de armas cubanas para “defender a revolução socialista” no Chile (“Nossa agenda é clara. Se o novo horizonte que buscamos ainda é chamado de comunismo, é hora de reconstruí-lo”. E ainda há gente que se ufana ao dizer que o comunismo acabou!

Uma das principais reuniões do FSP foi o IV Encontro, em 1993, realizado em Havana depois do Pacto com o Diálogo Interamericano (ver próxima seção). Embora tivessem se passado apenas 3 anos o número de participantes crescera para 112, afora os convidados de outros continentes, e já com candidatos a presidente na maioria dos países onde haveria eleições nos seguintes 20 meses.

As decisões foram, fundamentalmente três. Primeiro, decisão incondicional de todas as forças ali reunidas, no sentido de dar todo o apoio a Cuba, durante o período especial decorrente da cessação do auxílio soviético e do leste europeu, inclusive com a compra de remédios e estímulo ao turismo. O então Presidente Itamar Franco, visitado por Lula, adquiriu 300 milhões de dólares em remédios antiquados que para nada servem além de encher os bolsos da quadrilha cubana para entrega. Firmou também convênios de assistência médica familiar com Municípios, etc.

Segundo, concentração de esforços de todas as forças do Foro para eleger Lula, tendo em vista a necessidade de uma base territorial e de um governo de expressão, para dar suporte ao que viria a ser uma espécie de União ou Federação (nome dado por Chávez), das Repúblicas Socialistas da AL (URSAL no lugar da URSS) facilitada pela quase unidade lingüística. No âmbito da imprensa resolveu-se mobilizar todos os jornalistas de esquerda (a quase unanimidade na AL) para escrever a favor de Lula maquiando sua imagem. Jorge Castañeda, ex-assessor de Lázaro Cárdenas, um dos líderes do Foro e ligado aos zapatistas, viria a coordenar um pool de jornalistas em toda a imprensa latino-americana.

O terceiro objetivo definido era impedir o desenvolvimento da Nafta, tratado de livre comércio de iniciativa americana, que iria entrar em vigor no dia primeiro de janeiro de 94, no México, com provável expansão para outros países, colocando-se a luta dentro do tema do combate ao neoliberalismo por todas as formas possíveis. Nesse mesmo dia, certamente não uma coincidência, houve o levante zapatista no México. Esta resolução dava força total ao movimento pois garantia que todos os países envolvidos o apoiariam contra o governo mexicano.

ESTRATÉGIA ATUAL DE GRADUALISMO PARA ESCONDER O OBJETIVO FINAL COMUNISTA

Pode-se ver claramente no que se segue, que o anunciado por Garcia segue sendo a estratégia permanente do grupo: o gradualismo do governo Lula não passa de tática diversionista, é o significado de “no início ter que aceitar certas coisas”. Na última reunião do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, durante a palestra de Chávez, uma parte dos presentes em vários momentos vaiou o presidente Lula, e gritou palavras de ordem acusando-o de traição às suas promessas eleitorais. Chávez saiu em defesa de Lula, explicando com todo cuidado que, “nas atuais circunstâncias, o gradualismo é uma estratégia necessária dos governantes esquerdistas para se fazerem aceitar aos poucos, sem causar rechaço na população”Considero que não era o momento, porque há fases nos processos, há ritmos que não têm a ver só com a situação interna do país, mas com a situação internacional”.

Chávez certamente agradecia o que Lula e o Foro fizeram por ele: em janeiro de 2003, propusemos ao nosso companheiro, presidente Chávez, a criação do Grupo de Amigos para encontrar uma solução tranqüila que, graças a Deus, aconteceu na Venezuela. E só foi possível graças a uma ação política de companheiros. Não era uma ação política de um Estado com outro Estado, ou de um presidente com outro presidente. Quem está lembrado, o Chávez participou de um dos foros que fizemos em Havana. E graças a essa relação foi possível construirmos, com muitas divergências políticas, a consolidação do que aconteceu na Venezuela, com o referendo que consagrou o Chávez como presidente da Venezuela”.

Ao mesmo tempo, o gradualismo permite gerar recursos que possam ser drenados para aliviar a desesperadora situação de Cuba através de generosos acordos comerciais e financeiros que permitem a sobrevivência da ditadura nesse país. Segundo ele, nova Lei de Assistência Jurídica em Matéria Penal. Trata-se de um convênio entre ambos os países, oficializado em 22 de dezembro pp., que permitirá a juízes, funcionários e membros da polícia política do Estado cubano atuar em território venezuelano com amplas facilidades para investigar, capturar e até interrogar a cubanos residentes na Venezuela, e inclusive a cidadãos venezuelanos que sejam requeridos pela justiça castrista, em cooperação com a polícia política do regime de Hugo Chávez. Ao mesmo tempo, a Venezuela garante liberdade e proteção a revolucionários de outros países, principalmente da vizinha Colômbia, que se refugiam no seu território.

Acrescente-se que o Brasil já dá tratamento diferenciado para médicos formados em Cuba dos quais não é exigida a mesma revalidação aos provenientes de outros países. Os jornais também noticiaram um acordo entre a Agência Brasileira de Informações (ABIN) e a Dirección General de Investigaciones (DGI) cubana para agentes brasileiros serem treinados lá, como já ocorre com a inteligência venezuelana.

Também para não assustar a população, esconde-se freqüentemente a ativa participação guerrilheira e terrorista no Foro, mas no VI Encontro, em El Salvador, Raúl Reyes, do Estado Maior das FARC pronunciou extenso discurso cujo parágrafo final segue abaixo no original:

Las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia – Ejército del Pueblo, desde su fundación el 27 de Mayo de 1964, mantiene sus armas y sus banderas en alto en la lucha por la democracia, la soberanía nacional y la paz con justicia social, por una equitativa distribución de las riquezas nacionales, sustentada en políticas independientes de los centros del poder mundial. El movimiento guerrillero colombiano es el fundamental bastión de la oposición política al régimen de las oligarquías, está con las armas en la mano, en las montañas en lucha de guerrillas móviles; porque el Estado colombiano ha creado una máquina de guerra criminal, con soportes ideológicos venidos de los Estados Unidos, con principios antinacionales que profundizan los odios entre compatriotas. Y porque en Colombia, quienes gobiernan: la burguesía, los grupos económicos, los terratenientes y latifundistas, han criminalizado la protesta social, para asesinar, torturar, desaparecer y encarcelar e intimidar a los opositores de la injusticia; como no existe espacio para la lucha política legal y abierta de masas, reivindicamos la vigencia de la lucha armada revolucionaria del pueblo, enriquecida con el diario aprendizaje de propios y extraños; nos inspiramos en los principios científicos del Marxismo-Leninismo y en el rico pensamiento libertario de Simón Bolívar, en la lucha por el poder para el pueblo [6].

Outras organizações terroristas que mandam “observadores” são o Exército Republicano Irlandês (IRA), a organização separatista basca Euskadi ta Askatasuna (ETA), a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e representantes da Líbia, Irã, Síria e, antes da invasão do Iraque, enviados de Saddam Hussein.

Dentro do gradualismo gramscista parte essencial é o controle cada vez maior das comunicações. “É sem dúvida um projeto político e estratégico”, admitiu seu diretor, o uruguaio Aram Aharonian, em várias entrevistas e acrescenta: “Façamos algo parecido com a CNN”.

Investigadores da imprensa colombiana exibiram vários fragmentos das emissões de prova da Telesur e destacam três episódios específicos. Inicialmente aparece uma mulher cantando um canção cujo refrão – eta, eta, eta – é uma clara alusão ao grupo terrorista basco que, coincidentemente, explodiu várias cargas no dia 13 de julho“Memórias do fogo” que, segundo o próprio canal, serão documentários contra o esquecimento. Finalmente, chamam a atenção sobre as prolongadas imagens de uma manifestação de Primeiro de Maio – dia mundial do trabalho – na Praça de Bolívar em Bogotá. Nelas, os manifestantes gritam palavreados contra o Governo e mostram cartazes e faixas nas quais assinalam as Forças Militares como autoras de recentes massacres e rechaçam políticas governamentais. “Plano Colômbia: guerra e morte contra o povo”, diz uma das faixas que se vê nas imagens de prova.

Mas nem só de Foro vive o Eixo do Mal; há também outras entidades interessadas que se aliaram a ele. Na próxima seção, “O Diálogo Interamericano”, o Pacto entre as duas, bem como as conexões extra-continentais.

 

Notas:

 

[1]Já foi parcialmente abordado em artigo anterior: Uma questão de Metodologia I e II.

[2] Para mais informa&ccedi l;ões ver a home page deste site, o blog NotaLatina  e o artigo de Félix Mayer.

[3] http://www.commondreams.org/headlines03/0121-03.htm

[4] http://www.info.planalto.gov.br/download/discursos/pr812a.doc

[5]http://200.155.6.3/site/temp_fsp/site_espanhol/html/encontros_int02.asp?DescEvento=90&even=Seminario%20en%20Managua%20-%202004

[6] http://six.swix.ch/farcep/Documentos/foro_de_sao_paulo.htm

[7] Gilberto Simões Pires, na Newsletter  O PONTOCRÍTICO, 17/07/2005

www.heitordepaola.com